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Então vá até o capítulo 1 para acompanhar toda a história de Nathália em Bem Vindo a Refúgio!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Capítulo 4


C
heguei em casa com uma felicidade que não cabia em mim. Avisei meus pais que tinha chegado e fui atrás do Zeus. Zeus é o meu cavalo. Ganhei-o quando eu tinha seis anos. Ele é lindo, marrom, com uma mancha branca na testa e as patas brancas. Eu adoro conversar com ele, fico horas contando sobre minha vida, e melhor que qualquer amigo, ele não reclama nem espalha meus segredos.
            Eu não via Zeus desde o dia anterior, em que conheci Bernardo. Ainda não havia contado para ele sobre o primo da Mari, então, cheguei em casa, troquei de roupa, montei no Zeus e fui para o nosso refúgio.
            Bem ali, no meio de um imenso descampado, sob a lua e as estrelas, eu me sentia segura. Era pra lá que eu ia quando estava triste, quando estava feliz, quando estava com raiva, quando me sentia sozinha. A tal da lua já me acolheu em muitas noites de desilusão. Assim que eu chegava lá, tirava tudo de Zeus, o deixava totalmente livre, e me jogava no chão de braços abertos, esperando pelo abraço da noite. Embalada pela melodia dos animais noturnos, eu contava sobre minha vida para Zeus e pra quem mais quisesse ouvir. Algumas vezes cheguei a adormecer ali, até a hora em que Zeus me acordava, tocando meu braço de leve com a cabeça, ou quando meu pai ou minha mãe vinham me chamar.
            Essa noite estava clara, fresca e musical. Vaga-lumes dançavam a minha volta enquanto Zeus ouvia sobre cada segundo ao lado do meu príncipe, tão encantado quanto essa noite. Deitada na grama de braços abertos, eu desejava que a gravidade falhasse por alguns instantes para que eu pudesse me desprender do chão e ir ao encontro da lua.             Então, adormeci sorrindo.
            Acordei com a luz do sol ofuscando minha visão. Eu estava no descampado, e tinha um cobertor sobre mim. Olhei para o lado e vi minha mãe dormindo na grama.
-Mãe? - Disse surpresa.
-Ah, bom dia filha linda! - Disse bocejando.
-Por que não me acordou ontem à noite? - Perguntei confusa.
-Você parecia tão feliz, não quis atrapalhar, e não ia te deixar aqui no frio sozinha. - Respondeu sorridente.
-É eu estava. Aliás, ainda estou. - Disse com o maior sorriso que consegui mostrar.
-Me conta! Agora! - Disse minha mãe sentando com ar de curiosidade.
            Contei tudo que tinha acontecido desde o momento em que eu e Bernardo nos vimos pela primeira vez. Ela o achou muito fofo, ficou encantada.
-Bem, já está quase na hora do almoço. Vamos pra casa? - Disse minha mãe levantando e dobrando o cobertor.
-Claro! Vem Zeus!

            No meio da tarde, meu celular tocou. Um número desconhecido.
-Alô? - Eu disse.
“Oi minha linda.” - Disse aquela voz que eu sabia muito bem de quem era.
-Bernardo! - Respondi sorrindo.
“Como você tá?”
-Estou ótima, e você? - Eu não estava acreditando que ele tinha me ligado.
“Muito melhor ouvindo sua voz. Vamos ao cinema hoje?” -Agora é que eu não estava acreditando em mais nada.
-Ah, claro. Que horas? - Perguntei ansiosa.
“As sete, vamos te buscar as seis.”
-Vamos? Vai todo mundo dai? - Perguntei desanimada.
“O meu tio vai nos levar. Vamos nós dois e a Mari e o Lucas. Eles assumiram o namoro, e o pai dela resolveu deixar.”
-Legal. Então eu vou esperar.
“Tá. Então, até mais tarde. Beijos, linda.” - Aquela voz que me tirava de órbita.
-Até. B-b-beijos. - Saiu um pouco engasgado, eu nunca tinha falado assim com um garoto por telefone. No máximo mandava abraço.
“Te amo.” - Ele disse, então a ligação caiu.
            Tudo bem, espera um pouco. Primeiro: o Bernardo me ligou e me chamou pra ir ao cinema. Segundo: ele me chamou de “minha linda”. Ele me chamou de linda, e disse que sou dele. Terceiro e último e mais importante: ELE DISSE QUE ME AMA!!!!!!
Será que isso estava acontecendo mesmo? O Bernardo disse que me ama? Me ama? A-M-A?
            Era perfeito de mais pra estar acontecendo.

            Quando o relógio bateu seis horas, eu estava pronta, sentada na sala e aflita. Muito aflita. Já era o horário marcado e ele não tinha chegado ainda.
            Seis e cinco. Tudo começou a passar pela minha cabeça, “ele não vem mais”, “ele não me ama”.
            Seis e dez. Vou ligar pra ele. Não, se ele não vier é porque ele não me ama.
            Seis e quinze. “Ele não me ama, eu sou uma idiota. Vou colocar uma roupa de ficar em casa. Já que ele não me ama”, com olhos cheios de lágrimas pensei mais uma vez “ele não me ama”.
-Nathália! O Bernardo chegou. - Disse minha mãe.
 “Ele me ama!”
Abri a porta correndo, com um enorme sorriso no rosto.
-Olá, isso é pra você. - Ele disse me entregando um pequeno buquê de flores amarelas.
-O-o-obrigada. - Eu estava tão feliz que nem conseguia falar direito.
-Olá Bernardo, entre. Me dê essas flores Nathy, vou colocá-las na água. - Disse minha mãe acabando com o momento “não sei o que eu estou fazendo aqui parada”.
-Obrigado, mas, o meu tio está esperando. Eu só gostaria de falar com o seu pai Nathy, antes de irmos. - Ele era tão educado, um verdadeiro príncipe.
-Meu pai? - Eu não estava entendendo.
-Vou chamá-lo. - Disse minha mãe e foi em direção a varanda dos fundos, onde meu pai ficava deitado com ela na rede tomando chimarrão esse horário.
-Você está linda. - Ele disse me roubando um selinho.
-Obrigada, você também está. - Não sei de onde eu tive coragem de dizer aquilo.
            Ele estava com uma camisa preta, sapato social preto e uma calça jeans escura. Aquele perfume, como era bom.
Eu estava com um vestido branco com florezinhas bem pequenas em rosa claro, e uma fitinha branca no cabelo, que destacava bastante no meu cabelo preto.
            Quando meu pai chegou, ele se apresentou formalmente e pediu permissão para me levar ao cinema e depois tomar um sorvete. É claro que meu pai deixou. Dava para perceber que tanto ele quanto minha mãe estavam orgulhosos de mim. E eu, mais apaixonada. Parecia cena de filme.

            O pai da Mari nos deixou no cinema e foi embora. A Mari e o Lucas sumiram em questão de segundo de perto de nós. Ele já tinha comprado nossas entradas. Sobre o filme? Não me pergunte, eu não assisti nada. Ele não deixou.
            Os dias seguintes foram perfeitos.
            Saímos toda noite. Ele era super fofo, estava todo dia lindo e cheiroso. Me dava flores todos os dias, e no quarto dia que saímos, ele disse no meu ouvido “eu te amo Nathalia”. Foi a primeira vez que ele disse isso pessoalmente. Foi P-E-R-F-E-I-T-O.
            Eu acho que ele é perfeito.
            Só mais uma coisa.
            Bernardo, eu te amo. 




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