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S
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emana
perfeita, férias perfeitas, com a pessoa perfeita, até o oitavo dia.
Estávamos
na rede, na varanda da chácara da Mari. Ela estava com o Lucas na sala, e todas
as outras pessoas estavam na cidade.
Bernardo começou a me beijar um
pouco mais intensamente que o normal, e sua mão começou a escorregar da minha
cintura.
- Beh, eu
não gosto disso, você sabe. – Eu disse, não querendo quebrar o clima, mas, ele
era o meu primeiro namorado, estava indo rápido de mais.
- E eu
não gosto da sua frescura, qual o problema Nathy? É bom você não acha? – E
apertou minha coxa com a mão.
- Ei!
Você nunca fez isso, qual o seu problema hoje? – Perguntei inquieta.
- Olha,
eu vou embora em dois dias, você que sabe se quer aproveitar ou não. – Disse
ele tirando as mãos de mim.
- Mas, a
gente não precisa ter pressa, afinal, vamos continuar nos vendo não vamos?
- A Alice
não vai gostar disso se souber mas...
- Quem é
Alice? – Perguntei tentando esquecer o que havia passado pela minha cabeça.
- Como
assim? Eu pensei que Eu fosse sua namorada. – Eu disse com os olhos começando a
encher de lágrimas.
- Namorada?
A, dá um tempo né. Algum momento eu te pedi em namoro?
- Mas..
Beh, eu pensei que..
- Pensou
errado. – Disse ele arrogante.
- O que
eu sou então? Um passa tempo? Uma substituta já que sua namorada não está aqui?
– Já estava sentada na rede, incrédula.
-
Exatamente. Eu namoro com ela a três anos. Você não devia reclamar, você devia
me agradecer.
- Te
agradecer pelo que? Por me enganar? Você disse que me amava. Você disse “Eu te
amo”. Eu acreditei nisso Bernardo.
- Ah me
poupe né! Você realmente acreditou nisso? Você é apenas uma caipira ridícula.
Olha as roupas que você usa, as músicas que você ouve, você mora no meio do
mato, você conversa com um cavalo! Antes do Bernardo aqui aparecer você não
sabia nem o que era um carinho de um homem. Era uma criança, não que tenha
deixado de ser, mas, agora você sabe o que é um beijo pelo menos, aprendeu que
não é aquela coisa esquisita que você fazia no começo. Agora você realmente
quer que eu me sinta mal por dizer que te amava? Você ficou feliz não ficou? Ótimo!
Agora não vem pegar no meu pé não ta! Agradeça a Mari por me pedir pra fazer
isso por você, ela tinha dó de ver você sempre sozinha. Nenhum garoto olhava
pra você, ela cansou de te ver chupando dedo.
- Por que
você está falando tudo isso Beh? – Eu disse chorando.
- A
garota se toca! Que Beh o que! Meu nome é Bernardo ok? Eu to cansado das suas
criancices. Cresce menina! Agora me dá um último beijo. De despedida né. –
Disse ele cínico segurando em meu queixo e vindo me beijar.
Eu cuspi no rosto dele e saí da rede
em direção da sala.
- Idiota!
Eu te ODEIO! – Gritei, enquanto ele ficou ali, rindo, estupidamente.
- Dó? É isso que você tinha de mim é? Ninguém
olhava pra mim? Eu ficava só chupando dedo? Ótima amiga você! Obrigada por
acabar com a nossa amizade. Parabéns Mariana! – Eu disse enquanto passava pela
sala e ia embora.
- Nathy,
o que aconteceu? – Disse Mariana pulando do colo de Lucas no sofá.
- Falsa!
Eu tenho nojo de você! Ele namora, ele não está nem ai pra mim. Ele vai embora
e nunca mais vai lembrar que eu existo! – Eu disse chorando, esperando que ela
me consolasse e salvasse nossa amizade.
- Você
esperava o que? Casar com ele? Já estava na hora de você ter alguma experiência
com algum homem. Você tem quinze anos e nunca tinha nem pego na mão de um
garoto. – Disse com o ar mais nojento que já vi.
- Eu
deveria decidir! Ah, esquece! – Sai da sala.
- Ei,
onde você vai? Espera meu pai chegar que ele te leva então! – Disse ela.
- Como se
você se importasse. – Respondi sem olhar para trás.
- Quer
ligar pro seu pai? – Perguntou. – Nathy! Desculpa, eu só queria te ajudar.
Deixei ela falando sozinha.
- Deixa
ela, daqui a pouco ela volta chorando, só está fazendo doce, querendo chamar a
atenção. – Ouvi Bernardo falando para ela.
Comecei
a correr. Estava super longe da estrada, e não conseguiria chegar em casa a pé,
mas eu não iria voltar, preferia morrer. E pra ajudar, tinha deixado meu
celular em casa.
Depois de uns dez minutos andando,
sentei no meio do caminho e comecei a chorar mais do que antes. Então, ouvi o
barulho de um carro se aproximando pelas minhas costas. Levantei e comecei a
caminhar novamente, certa de que não iria nem ao menos olhar para o carro.
-
Nathália, entra aqui, eu te levo pra casa. – Disse Lucas.
Eu não esperava ele ali, e muito
menos sozinho. Ele estava com o carro do pai dele.
- Não, obrigada. Eu vou a pé. – Disse séria sem olhar pra ele.
-Você sabe que não vai chegar em casa a pé, entra aqui, eu não falar
sobre nada que aconteceu, não vou defender a Mari nem ninguém, na verdade a
gente não precisa nem conversar. Vem Nathy, deixa eu te levar.
Entrei séria no carro.
Quando já estávamos na
estrada, não aguentei mais o silêncio.
- Obrigada. Você não precisava fazer isso. – Disse agradecida, ainda
chorando um pouco.
- De nada. Eu não iria ficar em paz comigo se tivesse te deixado. O
Bernardo tentou me impedir, falando que você ia voltar, mas, te conheço a tempo
suficiente pra ter certeza que não iria e nem queria que voltasse, eu não podia
permitir que você se humilhasse desse jeito. – Disse isso e deu leves tapinhas
no meu ombro.
- Obrigada, mesmo. - Repeti enquanto colocava minha mão em sinal de
agradecimento sobre a dele no meu ombro.
Ele suspirou e olhou de
canto de olho para minha mão sobre a dele. Então percebi que aquele gesto tinha
significado algo mais a ele do que a mim, então tirei minha mão meio constrangida.
Ele olhou fixo na estrada.
- Você é menor de idade, não devia estar dirigindo. - Eu disse sorrindo
para acabar com aquele clima constrangedor.
- É, meu pai diz a mesma coisa, por isso que ele nunca me deixa sair com
o carro dele, mas como eu disse que era caso de vida ou morte, ele abriu uma
exceção. - Sorriu.
Então eu me lembrei
mais uma vez da cena e meus olhos encheram de lágrimas novamente.
-Ah não Nathy! Eu não sei lidar com uma mulher chorando, ainda mais
você, que a única vez que te vi chorar foi logo que nos conhecemos, quando eu,
você e a Mari fugimos da casa dela pra comer goiaba, sua mãe tinha falado pra
você não ir, lembra? - Rimos. - Nós fomos e você caiu da árvore, torceu o pé e
cortou o braço. Você não conseguia andar, eu te levei no colo. Estava me
achando, oito anos sendo o herói de uma garotinha indefesa. Era isso que eu
pensava. E quando chegamos lá, morrendo de medo de levar bronca, seu pai colocou
seu pé no lugar e disse que você não ia mais ganhar o Zeus. Você entrou em
desespero.
- É, eu lembro disso. Tenho a cicatriz no braço até hoje. - Mostrei a
pequena cicatriz no cotovelo. - Eu não sei porque fui.
- Você odiava goiaba.
- Ainda odeio, aliás, depois daquilo mais ainda. Você já me salvou
algumas vezes não é senhor Lucas? - Rimos de novo.
- Como a vez que você escorregou na pedra no rio, quando a correnteza
estava forte por causa da chuva, e você se apavorou e não conseguiu nadar, e eu
pulei e te trouxe pra beira do rio.
- Nossa! Eu não entrei naquele rio por dois anos lembra? Eu ficava
sentada naquela raiz de árvore olhando vocês dois no rio, e pra não me deixar
fora da brincadeira, vocês apostavam corrida na água e eu era a juíza. - Dessa
vez só ele riu. Falando em apostar corrida na água, meus olhos encheram
novamente.
- Ah não né. Ok, outra vez que eu te salvei. Aquela vez que você foi
montar pela primeira vez no meu cavalo, o Maltos, lembra dele? Ele se assustou
com uma cobra e quase te derrubou. Eu te peguei quando você estava quase no
chão.
- Eu nunca mais montei nele. - Rimos. - Oh! Lucas, meu herói! - Fiz
vozinha de filme e ri, mas ele ficou sério.
- Sonhei tantas vezes com você dizendo isso. - Cochichou pra ele mesmo.
- O que você disse Lucas? - Eu não tinha certeza do que tinha ouvido.
- Nada não, bom você está em casa. E vê se não chora por causa daquele
babaca tá? - E me deu beijo na testa. Me desesperei quando ele me lembrou sobre
aquele outro lá (me recuso a repetir o nome dele).
- Tchau, obrigada mais uma vez. - Disse entre soluços e sai correndo do
carro. Dei a volta na casa, encontrei Zeus, montei nele na hora e saí
galopando.