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Então vá até o capítulo 1 para acompanhar toda a história de Nathália em Bem Vindo a Refúgio!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Capítulo 1



E
stava no meio do parque de diversões que estava visitando a pequena cidade de onze mil habitantes a espera de Mariana, que havia combinado de me encontrar bem ali, em frente a roda gigante, as sete horas da noite em ponto, isso quer dizer, a meia hora atrás.
            Resolvi ligar para meu pai vir me buscar, já que quem iria me levar para casa as dez não veio. Assim que peguei meu celular, alguém tocou meu braço, me chamando.
-Você é a Nathalia? - Disse o garoto.
            Ele era mais alto que eu, tinha olhos verdes, cabelos castanhos cortados bem curtos, e tinha um sorriso envergonhado.
-Sim... ? - Respondi confusa, pensando se era realmente a mim que ele procurava.
-Desculpe a demora, eu estava tentando convencer a Mariana a não fazer isso com você, mas não consegui. Ela vai vir as nove. Eu sou o primo dela, Bernardo. Ela disse que já falou de mim pra você, bom, ela já falou muito de você pra mim. - Disse sem parar, ficando cada vez mais vermelho de vergonha.
-Sim, ela já falou de você pra mim. Bom, então... Qual é o plano dela? - Perguntei lembrando-me das tantas propagandas que Mariana fez de seu primo de dezessete anos, solteiro, educado, inteligente e engraçado.
-O plano é nos conhecermos, nos gostarmos e eu te beijar no topo da roda gigante. - Ele riu convidativo, enquanto eu me assustava com tamanha sinceridade. - Mas, o meu plano, é passear pelo parque, ir a alguns brinquedos, comer alguma coisa e nos conhecermos. Claro, se você estiver de acordo.
-Acho que seu plano é bem melhor que o dela. - Nós dois rimos.
            Andamos pelo parque, decidimos que não ficaríamos muito confortáveis na roda gigante, ele comprou uma maçã do amor pra mim, fez piadas e me convidou para ir a casa da Mariana no outro dia, onde ele estava hospedado durante duas semanas antes de começarem as aulas. Eu falei que tinha que ver com meus pais antes e ele disse que a mãe da Mariana já havia feito isso e meus pais haviam deixado. Eu corei. Então toda a família da Mariana era cúmplice do plano- roda-gigante? Que ótimo.
            Mas, uma coisa eu podia dizer. Ele era encantador.
            Mariana chegou as nove, eu fingi estar brava com ela pelo que havia aprontado.
-Então amanhã você vai almoçar lá em casa. O Bernardo já te avisou? - Ela perguntou toda feliz e curiosa.
-Na verdade não. Ele me convidou, diferente de você que toma decisões por mim. - Eu disse tentando reprová-la.
-Eu sou sua amiga. Eu sei o que é melhor pra você. Porque você não vai comprar um refrigerante pra nós Bernardo? - Pediu expulsando-o de perto para me perguntar sobre o beijo na roda gigante que não aconteceu.
-Claro. Vou me certificar de que a fila que eu estiver será a maior. - Disse sorrindo para nós com ar de quem quer deixar as fofoqueiras fofocarem.
            Ele já estava longe quando a Mariana quase pulou em mim.
-Aaaah! Conte-me tudo. Como foi o beijo? - Perguntou descaradamente.
-Não aconteceu. - Disse deixando todo seu plano maligno e tão bem preparado em pedaços.
-Como assim? E a roda gigante?- Disse com ar de derrota.
-Não teve roda gigante. Chegamos a conclusão que não ficaríamos confortáveis. - Eu disse vitoriosa.
-Droga! Mas enfim, o que achou dele? - Perguntou esperançosa.
            Eu não ia dar meu braço a torcer, então disse indiferente.
-Ah, ele é legal.
-O que? Eu achei o garoto dos seus sonhos, o seu príncipe encantado, te proporcionei a noite perfeita para o seu primeiro beijo, e você diz que ele é... legal? - Disse quase me batendo.
-Você quer que eu diga o que? Que ele é lindo, fofo, engraçado? Então tá, considere dito. - Eu disse rápido.
-Aceita um refrigerante senhorita? - Ofereceu-me a voz aveludada de Bernardo.
            Preciso dizer que fiquei parecendo um tomate de vermelha? A minha maior vontade era correr para o lugar mais escondido do mundo. A minha vontade era bater na Mariana. A minha vontade era nunca mais olhar para aquele garoto. Mas não tinha como.
-Obrigada. - Disse olhando para baixo e pegando o refrigerante da mão dele. Eu não tinha forças suficientes para olha-lo nos olhos para agradecer.
            Mariana deu uma risada baixa. É claro que ela sabia desde o inicio que ele estava a uma distância audível. Como eu queria matá-la naquele momento. Mas ia ter volta.
            Andamos e conversamos até às dez horas, quando o pai dela foi nos buscar. Não olhei nos olhos do Bernardo nem mais uma vez naquela noite.
            Quando cheguei em casa foi o maior alívio de toda minha vida. Nunca estive tão envergonhada. Agora eu estava bem longe da cidade. Na calmaria do nosso sítio. Apenas com minha mãe e meu pai em casa. Eu poderia colocar meus pensamentos no lugar e me lembrar da cor dos olhos de Bernardo, já que não teria coragem olha-los nunca mais.
            Amanhã. Amanhã vou vê-lo de novo. Eu não podia acordar. Eu não conseguiria. Já sei! Ao acordar pediria a minha mãe que ligasse e dissesse que alguma coisa que comi no parque me fez mal e eu não poderia ir ao almoço na casa da Mariana.
            Problema resolvido.
            Agora posso dormir em paz.




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