Novo por aqui?

Então vá até o capítulo 1 para acompanhar toda a história de Nathália em Bem Vindo a Refúgio!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Capítulo 9


- Não mãe, tá muito curta! - Eu disse.
- Não está não! Está linda. Por favor, leva? - Implorou.
- Aaah! Tá bom!
            Minha mãe chegou pra me buscar meio dia e quarenta, a hora que termina a aula, tirando o fato que minha última aula era vaga. Almoçamos ali no centro, perto do meu colégio, e depois fomos comprar meu uniforme.
            Todas as camisetas, digo, camisas, eram pretas, pra não ter desfile de sutiã colorido como disse a vendedora. Para a parte de baixo, saia xadrez vermelha e preta. Para os pés, meião branco até o joelho e aqueles sapatinhos. Não, eu não estou em um filme, nem novela mexicana e nem nos EUA. A diretora foi criada no Japão e usa no colégio o mesmo modelo de uniforme de lá, bom, sem as gravatas, ainda bem. Como não dá para fazer educação física de saia, tive que comprar uniforme pra isso também. Camiseta vermelha e shorts preto. Minha mãe não quis comprar legue, disse que eu tenho que parar de ter vergonha do meu corpo. Agasalho nós iríamos comprar mais para frente, e não precisava ser do colégio. As meias e o sapato não eram obrigatórios, mas minha mãe insistiu em comprar porque é "fofo". Eu mereço.
- Então, a sua coordenadora me disse tem um ônibus que pega alunos até um sítio depois do nosso, e só custa oitenta reais, então eu já assinei contrato. O que acha de ensinarmos o Zeus a te levar até a estrada e voltar para casa? - Perguntou minha mãe quando já estávamos no caminho de casa.
- Eu preferiria que você me levasse de carro né. Ter que acordar mais cedo pra colocar a cela e cavalgar de saia não vai ser a coisa mais confortável do mundo, mas tudo bem. - Disse fingindo não gostar da ideia.
- Vamos fazer um trato, eu coloco a cela enquanto você se arruma, assim, você não precisa acordar mais cedo. E coloco uns panos a mais na cela pra ficar menos desconfortável a história da saia. Melhor pra você? - Disse ela sorrindo.
- É, acho que melhora sim, temos um trato. - Rimos. - Ah, mãe... Eu preciso de trinta reais. - Pedi rápido.
- Pra...? - Ela perguntou desconfiada.
- Comprar a camiseta do basquete, lembra que eu me matriculei? - Expliquei.
-Ah sim, claro, mas... pede pro seu pai. - Disse piscando e saindo do carro. Já estávamos em casa.
            No dia seguinte minha mãe foi comigo até a estrada para trazer Zeus de volta, e me esperaria lá na hora do almoço.
- Bom dia, Nathalia né? - Disse o motorista do ônibus.
- Bom dia, é sim. - Respondi sorrindo.
- Fique a vontade. - Disse ele fechando a porta atrás de mim.
O ônibus estava vazio, exceto por um garoto dormindo no fundo do ônibus. Sentei no primeiro banco. O ônibus pegou mais oito alunos em sítios e chácaras antes de entrar na cidade. Parece que eu ocupei o último lugar vazio do ônibus. A garota que senta na minha frente na sala de aula foi quem sentou do meu lado. Ela entrou no ônibus bem no começo da cidade, mas já estava praticamente lotado.
- Oi. Eu sou Angélica, você é a Nathalia né? A garota nova da minha sala, que sentou atrás de mim ontem e eu tive vergonha de conversar? - Ela disse tímida.
- Acho que sim. - Rimos.
- Eu adorei o jeito que você falou com a Jéssica, aquela nojenta, eu O-D-E-I-O ela! - Ela disse com ar de “você é o meu herói”.
- Só estava me defendendo. - Sorri.
- Eu te ví saindo do ginásio ontem, se matriculou no basquete? - Perguntou.
- Sim e você?
- Também! - Disse entusiasmada.
Eu e Angélica fomos conversando até o ginásio. A primeira aula era educação física, então fomos para o vestiário nos trocar.
 - Oi novata, oi fofa. - Disse Jéssica assim que entramos. Suas cópias riram.
Angélica abaixou a cabeça e foi para o outro corredor do vestiário.
- Olá Barbie. - Respondi, e ela e suas cópias me olharam com cara de nojo (mais que o normal se é que é possível) e deram um sorrisinho falso. Angélica sorriu.
            A Angélica não era fofa no sentido que Jéssica insinuou. Ela era magra, a única coisa era que ela não tinha muita cintura, tinha pernas grossas, mas malhadas, eram bonitas, mas dava pra perceber que ela tinha vergonha. Ela sempre andava de cabeça baixa, e com os ombros curvados, como se estivesse se escondendo.
Fomos para a aula, eu estava morrendo de vergonha de usar aquele micro shorts. Mas não tinha outra opção.
- Bom dia galera, eu sou o novo professor de educação física. Meu nome é Ronaldo. - Cochichos, zoações e “UHULs”. - Sem piadinhas ok? Descobri que tem um time de basquete aqui, estou certo?
- Está sim senhor. - Disse um tal de Fabrício, o que parecia ser o “líder” do grupinho do fundo. Ele sempre estava na frente, e era o mais bonito. Tinha cabelos curtos e loiros, olhos azuis bem claros e um sorriso lindo. Alguma coisa no sorriso dele me fez lembrar do Bernardo, o que me fez abaixar a cabeça e fechar os olhos antes que alguma lágrima idiota caísse.
- Quem faz parte? - Perguntou o professor.
- Eu, o Ricardo, o Geovane e o Wesley, dessa sala. - Sempre respondendo como líder.
- E do treino? Quem participará esse ano? Quem se matriculou já?
            Todo o grupo de meninos do fundo, o que totalizava sete (os quatro do time e três garotos do meio da sala), eu, Angélica, e uma garota meio gótica. Ela usava batom preto, era super branca, usava uma munhequeira de banda de rock e maquiagem preta pesada nos olhos.
- Fabiana, até ano passado ela andava com um grupo de pessoas como ela, só que eles se formaram e agora ela anda sozinha. Bom, na verdade ela não andava com eles, ela os seguia, eles raramente falavam com ela ou a chamavam para alguma coisa. - Disse Angélica.
- Eu gostei do estilo dela. - Respondi.
- Você é louca. - Disse ela rindo.
- Por favor, quero que os garotos do basquete se dividam em dois grupos. E os garotos que não fazem parte do basquete dividam-se nesses dois grupos.
- Professor? Nós podemos animar o jogo se você quiser. - Disse Jéssica querendo se aparecer.
- Ah, as líderes de torcida. Claro meninas, mas só o jogo dos garotos, porque vocês também vão jogar. Meninas do basquete, vocês já faziam ou vão começar esse ano?
Todas nós éramos novas.
- Então comecem um grupo, e as líderes de torcida o outro. Isso vai ser legal. - A última parte ele disse pra si mesmo. - Comecem o jogo boys. - E jogou a bola.
- Oi colegas. - Disse Fabiana sentando atrás da gente.
Angélica me olhou assustada.
- Oi Fabiana, tudo bem? Quem joga bem da sala pra chamarmos pro nosso time? - Respondi sorrindo.
- Me chama de Fabí, Fabiana parece que eu fiz algo de errado. - Rimos. - Então, todas as meninas jogam mal, inclusive eu, a Angélica é prova disso, mas eu enjoei do teatro, fazia desde a quinta série e sempre era a mesma coisa. As únicas que eu não gostaria de ter no mesmo time são as galinhas, quero dizer, as líderes de torcida, mas elas já estão no outro time. - Rimos mais uma vez.
- Eu também não gosto das Barbies.
- É um apelido menos sincero que galinhas.
            Até a Angélica já estava rindo e conversando com a Fabí.
            Paramos de conversar para assistir o jogo. Os garotos do time realmente eram bons. No meio do jogo, o Wesley passou pela nossa frente, me olhou, sorriu e deu tchauzinho. As meninas ficaram me zoando até a hora que a gente foi jogar. Realmente elas não jogavam bem. O time das Barbies fez quatro cestas. As Barbies tinham medo da bola, quando alguém passava pra elas, elas gritavam e pulavam pro lado, então pra provocar, eu sempre fazia o passe por cima da cabeça delas. Não é maldade! O nosso time fez doze cestas, sendo nove, minhas.
- Ual, onde você aprendeu a jogar daquele jeito? - Wesley perguntou no final do jogo, antes de irmos para os vestiários tomar banho.
- No sítio que eu morava até três dias atrás, quando eu tinha cinco anos, meu pai improvisou uma quadra de basquete, com uma cesta só. Quando ele não estava com as máquinas dele, nem dormindo, nós ficávamos brincando lá. Não era nada de mais. - Mas, modéstia a parte, eu jogava melhor que aquelas garotas ali. Pelo menos melhor que as Barbies.
- Você é muito boa, só que seria melhor se parasse de ficar abaixando as pernas do shorts no meio do jogo. - Disse sorrindo.
- Ei! - Falei alto.
- Calma, isso atrapalha seu jogo, você perdeu dois passes por causa disso. Acha o que? Que eu quero ver suas pernas, por isso falei pra parar de abaixar o shorts? - Disse rindo.    Eu corei e olhei pra ele como que diz um grande “cala a boca”.
- Seu short é bem curto, não precisa mostrar mais, fica tranquila.
- Cala a boca!
 - Relaxa, só estou brincando, mas é curto. Mas os das líderes de torcida são mais, ainda bem. - Disse rindo.
- Ok, eu desisto de você. Até mais Wesley. - Disse indo pro vestiário.
- A perna direita do shorts tá mais curta que a outra, dá uma puxadinha. - Disse piscando.
- VAI TOMA BANHO!! - Gritei.
- Sim senhora. - Deu um sorrisinho de lado e entrou no vestiário.
            Palhaço. Estou da cor da minha camiseta. Obrigada.
         As aulas opcionais essa semana seriam livres.