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Então vá até o capítulo 1 para acompanhar toda a história de Nathália em Bem Vindo a Refúgio!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Capítulo 5


S
emana perfeita, férias perfeitas, com a pessoa perfeita, até o oitavo dia.
Estávamos na rede, na varanda da chácara da Mari. Ela estava com o Lucas na sala, e todas as outras pessoas estavam na cidade.
            Bernardo começou a me beijar um pouco mais intensamente que o normal, e sua mão começou a escorregar da minha cintura.
- Beh, eu não gosto disso, você sabe. – Eu disse, não querendo quebrar o clima, mas, ele era o meu primeiro namorado, estava indo rápido de mais.
- E eu não gosto da sua frescura, qual o problema Nathy? É bom você não acha? – E apertou minha coxa com a mão.
- Ei! Você nunca fez isso, qual o seu problema hoje? – Perguntei inquieta.
- Olha, eu vou embora em dois dias, você que sabe se quer aproveitar ou não. – Disse ele tirando as mãos de mim.
- Mas, a gente não precisa ter pressa, afinal, vamos continuar nos vendo não vamos?
- A Alice não vai gostar disso se souber mas...
- Quem é Alice? – Perguntei tentando esquecer o que havia passado pela minha cabeça.
- É minha namorada. – Disse ele olhando para longe.
- Como assim? Eu pensei que Eu fosse sua namorada. – Eu disse com os olhos começando a encher de lágrimas.
- Namorada? A, dá um tempo né. Algum momento eu te pedi em namoro?
- Mas.. Beh, eu pensei que..
- Pensou errado. – Disse ele arrogante.
- O que eu sou então? Um passa tempo? Uma substituta já que sua namorada não está aqui? – Já estava sentada na rede, incrédula.
- Exatamente. Eu namoro com ela a três anos. Você não devia reclamar, você devia me agradecer.
- Te agradecer pelo que? Por me enganar? Você disse que me amava. Você disse “Eu te amo”. Eu acreditei nisso Bernardo.
- Ah me poupe né! Você realmente acreditou nisso? Você é apenas uma caipira ridícula. Olha as roupas que você usa, as músicas que você ouve, você mora no meio do mato, você conversa com um cavalo! Antes do Bernardo aqui aparecer você não sabia nem o que era um carinho de um homem. Era uma criança, não que tenha deixado de ser, mas, agora você sabe o que é um beijo pelo menos, aprendeu que não é aquela coisa esquisita que você fazia no começo. Agora você realmente quer que eu me sinta mal por dizer que te amava? Você ficou feliz não ficou? Ótimo! Agora não vem pegar no meu pé não ta! Agradeça a Mari por me pedir pra fazer isso por você, ela tinha dó de ver você sempre sozinha. Nenhum garoto olhava pra você, ela cansou de te ver chupando dedo.
- Por que você está falando tudo isso Beh? – Eu disse chorando.
- A garota se toca! Que Beh o que! Meu nome é Bernardo ok? Eu to cansado das suas criancices. Cresce menina! Agora me dá um último beijo. De despedida né. – Disse ele cínico segurando em meu queixo e vindo me beijar.
            Eu cuspi no rosto dele e saí da rede em direção da sala.
- Idiota! Eu te ODEIO! – Gritei, enquanto ele ficou ali, rindo, estupidamente.

- Dó? É isso que você tinha de mim é? Ninguém olhava pra mim? Eu ficava só chupando dedo? Ótima amiga você! Obrigada por acabar com a nossa amizade. Parabéns Mariana! – Eu disse enquanto passava pela sala e ia embora.
- Nathy, o que aconteceu? – Disse Mariana pulando do colo de Lucas no sofá.
- Falsa! Eu tenho nojo de você! Ele namora, ele não está nem ai pra mim. Ele vai embora e nunca mais vai lembrar que eu existo! – Eu disse chorando, esperando que ela me consolasse e salvasse nossa amizade.
- Você esperava o que? Casar com ele? Já estava na hora de você ter alguma experiência com algum homem. Você tem quinze anos e nunca tinha nem pego na mão de um garoto. – Disse com o ar mais nojento que já vi.
- Eu deveria decidir! Ah, esquece! – Sai da sala.
- Ei, onde você vai? Espera meu pai chegar que ele te leva então! – Disse ela.
- Como se você se importasse. – Respondi sem olhar para trás.
- Quer ligar pro seu pai? – Perguntou. – Nathy! Desculpa, eu só queria te ajudar.
            Deixei ela falando sozinha.
- Deixa ela, daqui a pouco ela volta chorando, só está fazendo doce, querendo chamar a atenção. – Ouvi Bernardo falando para ela.
            Comecei a correr. Estava super longe da estrada, e não conseguiria chegar em casa a pé, mas eu não iria voltar, preferia morrer. E pra ajudar, tinha deixado meu celular em casa.
            Depois de uns dez minutos andando, sentei no meio do caminho e comecei a chorar mais do que antes. Então, ouvi o barulho de um carro se aproximando pelas minhas costas. Levantei e comecei a caminhar novamente, certa de que não iria nem ao menos olhar para o carro.
- Nathália, entra aqui, eu te levo pra casa. – Disse Lucas.
            Eu não esperava ele ali, e muito menos sozinho. Ele estava com o carro do pai dele.
- Não, obrigada. Eu vou a pé. – Disse séria sem olhar pra ele.
-Você sabe que não vai chegar em casa a pé, entra aqui, eu não falar sobre nada que aconteceu, não vou defender a Mari nem ninguém, na verdade a gente não precisa nem conversar. Vem Nathy, deixa eu te levar.
            Entrei séria no carro.
            Quando já estávamos na estrada, não aguentei mais o silêncio.
- Obrigada. Você não precisava fazer isso. – Disse agradecida, ainda chorando um pouco.
- De nada. Eu não iria ficar em paz comigo se tivesse te deixado. O Bernardo tentou me impedir, falando que você ia voltar, mas, te conheço a tempo suficiente pra ter certeza que não iria e nem queria que voltasse, eu não podia permitir que você se humilhasse desse jeito. – Disse isso e deu leves tapinhas no meu ombro.
- Obrigada, mesmo. - Repeti enquanto colocava minha mão em sinal de agradecimento sobre a dele no meu ombro.
            Ele suspirou e olhou de canto de olho para minha mão sobre a dele. Então percebi que aquele gesto tinha significado algo mais a ele do que a mim, então tirei minha mão meio constrangida. Ele olhou fixo na estrada.
- Você é menor de idade, não devia estar dirigindo. - Eu disse sorrindo para acabar com aquele clima constrangedor.
- É, meu pai diz a mesma coisa, por isso que ele nunca me deixa sair com o carro dele, mas como eu disse que era caso de vida ou morte, ele abriu uma exceção. - Sorriu.
            Então eu me lembrei mais uma vez da cena e meus olhos encheram de lágrimas novamente.
-Ah não Nathy! Eu não sei lidar com uma mulher chorando, ainda mais você, que a única vez que te vi chorar foi logo que nos conhecemos, quando eu, você e a Mari fugimos da casa dela pra comer goiaba, sua mãe tinha falado pra você não ir, lembra? - Rimos. - Nós fomos e você caiu da árvore, torceu o pé e cortou o braço. Você não conseguia andar, eu te levei no colo. Estava me achando, oito anos sendo o herói de uma garotinha indefesa. Era isso que eu pensava. E quando chegamos lá, morrendo de medo de levar bronca, seu pai colocou seu pé no lugar e disse que você não ia mais ganhar o Zeus. Você entrou em desespero.
- É, eu lembro disso. Tenho a cicatriz no braço até hoje. - Mostrei a pequena cicatriz no cotovelo. - Eu não sei porque fui.
- Você odiava goiaba.
- Ainda odeio, aliás, depois daquilo mais ainda. Você já me salvou algumas vezes não é senhor Lucas? - Rimos de novo.
- Como a vez que você escorregou na pedra no rio, quando a correnteza estava forte por causa da chuva, e você se apavorou e não conseguiu nadar, e eu pulei e te trouxe pra beira do rio.
- Nossa! Eu não entrei naquele rio por dois anos lembra? Eu ficava sentada naquela raiz de árvore olhando vocês dois no rio, e pra não me deixar fora da brincadeira, vocês apostavam corrida na água e eu era a juíza. - Dessa vez só ele riu. Falando em apostar corrida na água, meus olhos encheram novamente.
- Ah não né. Ok, outra vez que eu te salvei. Aquela vez que você foi montar pela primeira vez no meu cavalo, o Maltos, lembra dele? Ele se assustou com uma cobra e quase te derrubou. Eu te peguei quando você estava quase no chão.
- Eu nunca mais montei nele. - Rimos. - Oh! Lucas, meu herói! - Fiz vozinha de filme e ri, mas ele ficou sério.
- Sonhei tantas vezes com você dizendo isso. - Cochichou pra ele mesmo.
- O que você disse Lucas? - Eu não tinha certeza do que tinha ouvido.
- Nada não, bom você está em casa. E vê se não chora por causa daquele babaca tá? - E me deu beijo na testa. Me desesperei quando ele me lembrou sobre aquele outro lá (me recuso a repetir o nome dele).
- Tchau, obrigada mais uma vez. - Disse entre soluços e sai correndo do carro. Dei a volta na casa, encontrei Zeus, montei nele na hora e saí galopando. 

4 comentários:

  1. O próximo capítulo já está pronto. Só vou esperar duas pessoas diferentes comentarem pra que eu poste o próximo :D E.. no próximo vocês vão conhecer melhor o tal do Lucas :x

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  2. nossa que deprimente ~: bernardo parecia alguém tão fofo :/ amei amiga, tá cada vez melhor *--*

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