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Então vá até o capítulo 1 para acompanhar toda a história de Nathália em Bem Vindo a Refúgio!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Capítulo 3


-Aposto que eu chego antes que você na cachoeira. - Disse Bernardo.
            Havíamos acabado de entrar no rio. Estávamos a uns vinte metros da cachoeira de dois metros que tinha na chácara.
-E se eu ganhar? - Respondi.
-Se você ganhar, o que eu acho difícil, pois sou um excelente nadador, - nessa hora joguei água nele, como se já não estivéssemos suficientemente molhados estando dentro do rio - então, você pode me pedir o que você quiser que eu faço. - Ele disse confiante.     Não vou negar que gostei dessa aposta.
-E se eu perder? - Perguntei.
-Dai eu peço. - Ele disse com ar maléfico.
-Ah, não sei não em. Vai que você realmente é um bom nadador? - Eu disse fugindo da aposta, mesmo sabendo que no fim eu iria aceitar.
-Então você terá que fazer o que eu pedir. - Ele disse piscando.
-Só aposto se você me prometer ser razoável. - Eu falei sorrindo.
-Prometo que você não fará nada que não queira. - Ele prometeu-me com um grande sorriso como se pudesse ouvir meus pensamentos.
-Eu posso deixar vocês sozinhos um pouco? - Perguntou Mariana. - Marquei de encontrar o Lucas no descampado, ele vai vir aqui com a gente.
-Claro Mari, - Disse Bernardo - eu tenho uma aposta pra ganhar mesmo.
            Eu nem tinha percebido que ela não tinha entrado no rio ainda. Eu não raciocinava direito quando estava perto dele.
            Antes que eu pudesse contraria-lo, ela já havia sumido na trilha em direção ao descampado.
-Bom, um, dois, três, já. - Disse Bernardo e mergulhou na água.
            Ele falou super rápido, eu mal tinha entendido, então caiu a ficha. Não, ele não podia ganhar. Nadei o mais rápido que pude.
            Tinha um espaço entre a queda d'agua e a parede de pedra. Foi lá que levantei, e quando fiz isso, ele me esperava com sorriso de vitória no rosto.
-Acho que eu sou um bom nadador então, o que você acha?
-Acho que você é um ótimo trapaceiro, você não me avisou que já ia começar. - Eu disse tentando convence-lo a refazer a corrida.
-Eu avisei sim. Até contei até três antes de dar a largada. Aposta é aposta. Pronta pra pagar? - Ele não tirava aquele sorriso malicioso do rosto.
-NÃO! Isso não valeu... - Antes que eu pudesse terminar ele me interrompeu.
-Admita que perdeu e pague a aposta. Não é tão difícil assim.
            A verdade é que ele podia ter me dado até vantagem de mergulhar primeiro, mas enquanto eu estivesse vendo o rosto dele, eu não saberia do que ele estava falando. Tudo bem, eu saberia, não fiquei tão besta assim por ele, mas, eu ia ficar um pouco sem rumo, talvez até nadasse para o lado errado.
-Mas, ... - Eu não sabia o que dizer, então olhei-o rendida. - O que você quer que eu faça?
-Quero que você não me interrompa. - Ele disse abrindo mais ainda aquele sorriso.
-O quê? Como assim? - Eu não estava entendendo nada.
-Shhhh - Ele disse e colocou a mão em frente minha boca para que eu ficasse em silêncio.
            Eu não falei mais nada, então ele se aproximou fazendo com que toda água ao meu redor se agitasse ainda mais do que já estavam por conta da cachoeira a nossa frente. Quanto mais ele se aproximava, mais aflita eu ficava. A água estava batendo pouco abaixo de meus ombros. Minha respiração estava começando a acelerar quando senti algo na minha cintura. Olhei para baixo e era sua mão. Seu corpo quase encostado no meu me fez parar de respirar. Com a outra mão, ele tirou uma mecha de cabelo molhado do meu rosto, olhei-o nos olhos no mesmo instante.
            Aquilo realmente estava acontecendo? Parecia muito mais um sonho.
            A mão que ele havia usado para tirar a mecha de cabelo molhado do meu rosto, ele colocou no meu pescoço. Eu voltei a respirar, com muita dificuldade, mas, se eu não voltasse, iria desmaiar ali mesmo estragando todo o momento. Então, com toda calma que ele podia ter, ele aproximou seu rosto do meu enquanto olhava minha boca, me olhou mais uma vez nos meus olhos, e me beijou.
            Dessa vez não posso falar sobre a respiração dele. O movimento da água impedia que eu sentisse.
-Gostei da ideia do beijo atrás da cachoeira, se nos permitem, vamos provar também! - Disse Mari agarrando Lucas ao nosso lado.
            Eu nem havia percebido que eles tinham chegado, e muito menos que já tinham entrado no rio. Devo ter ficado muito vermelha nessa hora, pois Bernardo disse:
-Não tenha vergonha. - e me deu um beijo no canto da boca.
            Ficamos ali até umas cinco horas, então resolvemos que era hora de ir para casa, antes que começasse a escurecer.
            No caminho houveram escorregões, tombos, tropeços, e sempre que isso acontecia, Bernardo me segurava pela cintura e dizia que iria me proteger.
            Cada minuto que passava ele era mais fofo, mais encantador, mas especial, e eu.. mais apaixonada por ele.

-Nossa, rolaram na terra? - Perguntou a mãe da Mari rindo da nossa situação. – Bom, vão tomar um bom banho, que vamos ao parque. Hoje é o último dia dele na cidade então queremos aproveitar. Você vai com a gente não é Nathalia?
-Claro! Por que eu não iria? - Respondi feliz porque ia poder passar mais tempo com meu príncipe encantado.
-Ah, o Lucas vai com a gente. Sair um pouco do sítio. Acreditam que ele nunca foi nesse parque? E olha que vem todo ano à cidade. - Disse a mãe dela, indiferente.
-Que bom mãe. - Disse Mariana irônica, como quem diz “Ok, a conversa já acabou, pode parar de falar”.
Mas eu e Bernardo sabíamos que por dentro, a vontade dela era de abraçar, beijar e agradecer milhões de vezes a sua mãe.

            Os pais da Mari nos deixaram no parque e foram para o cinema, então ficamos no parque eu e Bernardo, e Mari e Lucas. Os dois casais reunidos.
-Bom, quando minha mãe me ligar pra avisar que chegaram, eu ligo pra você Nathy, ok?
-Tudo bem. - Afinal, eu tinha escolha? E se tivesse? Escolheria aquilo do mesmo jeito.
Fomos a alguns brinquedos do parque, como a montanha russa, comemos bombom, tomamos refrigerante e paramos um pouco, bem no meio do parque.
-Estamos em frente da roda-gigante, só nós dois. Isso não é legal? Voltar ao local onde nos conhecemos? Parece até que foi ontem! Ops, esqueci, foi ontem né? - Disse Bernardo quebrando o clima que ele mesmo proporcionou.
-Parece que faz mais tempo...  - Comecei a falar olhando para o céu.
-Vem, preciso fazer uma coisa. - Ele disse com aquele sorriso perfeito.
            Me pegou pela mão e começou a me levar em direção a roda-gigante.
            Aquela sensação de que ele estava me guiando, me levando com ele, era incrível. Eu nunca tinha sentido aquilo antes. Queria que ele me levasse com ele pela mão o resto da minha vida.
-O que você vai fazer? - Perguntei.
-Você vai ver. - Ele disse misterioso.
            Quando estávamos bem no topo da roda-gigante, ela parou.
-Eu queria que esse brinquedo fosse mais alto, mais alto mesmo, muito. Sabe por quê? - Ele disse olhando para frente.
-Por quê? - Perguntei.
-Pra que eu pudesse alcançar uma estrela pra você, e pra que todas as outras invejassem a sua beleza, o teu brilho. - Disse baixinho, olhando no fundo dos meus olhos.
            Eu não sabia o que falar. Era o momento mais perfeito da minha vida. Olhei em volta meio sem jeito e olhei de volta nos olhos dele. Ele deu um sorrisinho de lado, piscou os olhos lentamente como se estivesse ensaiando para fecha-los, colocou sua mão em meu queixo, e me beijou.
            Novamente, não posso falar sobre a respiração dele. Estava tão entorpecida com o momento que me esqueci de prestar atenção.
            Agora, as estrelas podiam observar a minha felicidade.




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