Novo por aqui?

Então vá até o capítulo 1 para acompanhar toda a história de Nathália em Bem Vindo a Refúgio!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Capítulo 8


V
estida com um macacão jeans até o joelho, com uma regata branca por baixo, de tênis preto e com o cabelo preso em uma trança, segui para o meu primeiro dia de aula. Minha mãe me levou com a caminhonete vermelha, pra não chamar a atenção, claro. Tivemos que entrar pela secretaria, já que eu era nova ali e não tinha meu horário.
- Bom dia, gostaria de falar com a coordenadora do ensino médio. - Disse minha mãe para a recepcionista. Uma moça simpática, de óculos vermelhos iguais aos cabelos.
- Aluna nova é? - Disse sorridente me olhando de cima a baixo.
- Sim. - Respondi tímida.
- Acompanhem-me. - Disse ela levantando-se e abrindo a porta para nós.
Caminhamos por um longo corredor até chegarmos em uma sala escrito "coordenação".
- Jaqueline, sua aluna nova. - Disse a recepcionista para a minha nova coordenadora, a Jaqueline.
- Oh! Seja bem vinda Nathalia. Enquanto eu pego seus horários, a senhora - Agora se referia a minha mãe. - poderia ir assinando o contrato, por favor.
Ela voltou e me entregou um papel assim:

2º Ano letivo do ensino médio. Turma C. Sala 302. Bloco D.
Segunda-Feira
Terça-Feira
Quarta-Feira
Quinta-Feira
Sexta-Feira
Matemática
Biologia
Filosofia
História
Ed. Física
Matemática
Biologia
Filosofia
História
Ed. Física
Química
Física
Português
Sociologia
-banho-
intervalo
Química
Física
Português
Sociologia
Matemática
Informática
Inglês
Geografia
Português
Opcional
Informática
Inglês
Geografia
-livre-
Opcional

- Bom, só pra você se localizar, no bloco A é a secretaria, sala dos professores, diretoria, coordenação, xérox, isso tudo está aqui. No bloco B estão, laboratórios de informática, de química, de biologia etc. No bloco C estão as salas do ensino fundamental. No bloco D, que é o seu, estão as salas de ensino médio. No bloco E, o auditório, ou anfiteatro, e as salas de cursinho pré-vestibular e no bloco F estão a quadra esportiva, o ginásio e o refeitório. Espero que não se perca. - Disse rindo. - Venha comigo, te levarei até sua sala.
- Ok. Tchau mãe, até o final da aula.
- Tchau Nathy.
            Saímos daquele bloco e fomos por um corredor aberto, passamos pelo bloco F que ficava de frente para o bloco C. Depois desses blocos havia um imenso saguão. De um lado do saguão era o bloco D, do outro o E e nos fundos, ou frente, não sei, de frente para o corredor, havia uma imensa porta de vidro escrito “REFEITÓRIO”. Não era difícil se localizar ali. Entramos pelas portas que indicavam “BLOCO D”, subimos as escadas até o segundo andar e viramos à direita. Na primeira porta estava escrito “2º C”. Parecia que tinha jogado, de repente, um balde inteiro de gelo na minha barriga.       Respirei fundo, e acho que a Jaqueline percebeu.
- Calma garota, vai dar tudo certo. - E bateu duas vezes na porta.
- Olá! - Disse um homem simpático, abrindo a porta.
            Eu não adivinharia que ele é um professor, ainda mais de história, se não fosse pelo guarda-pó escrito “Marcelo – História”. Ele era loiro, alto, magro, olhos verdes escuros, com um sorriso muito convidativo, até de mais para um professor.
- Olá professor, desculpe atrapalhar sua aula, vim trazer uma aluna nova, esta é a Nathalia.
- Que incomodar, imagina Jaque, estava perguntando como foram as férias da turma. Seja bem vinda Nathalia. Venha conhecer sua turma. - Disse Marcelo para mim.
            A sala toda estava em silêncio, provavelmente olhando para a porta, mas assim como eu não podia vê-los, eu estava fora do alcance de visão deles. Graças a Deus.
            Entrei de cabeça baixa na sala, antes de conseguir olhar para alguém. Assim que entrei Marcelo fechou a porta.
- Galera, essa é a nova colega de vocês. O nome dela é Nathalia. Vocês já sabem o que tem que fazer quando chega alguém novo então está tudo bem. - Disse Marcelo piscando para a turma. - Pode sentar onde quiser Nathalia, de preferência onde não tenha ninguém, mas, se quiser a gente dá um jeito. Bem vinda de novo. - Repetiu.
            Olhei para o fundo da sala. Totalmente lotado. Um canto de garotas maquiadas, com uniformes justos e cabelos pintados. O outro com garotos, na maioria deles eram bonitos, com porte atlético e cabelos bem penteados. E o fundo do meio, bom, com todo tipo de gente. Em uma sala de quarenta e cinco alunos se acha gente de todo tipo mesmo. Olhei para as carteiras da frente. Lotadas. Garotos e garotas com o uniforme no lugar, alguns com óculos, quietos. Típicos nerds. Acho que sobrou o meio. Sentei na segunda fila, na quarta carteira. Era a que tinha menos gente em volta. Só tinha um garoto do meu lado direito, que não conversava muito com as pessoas em volta, e na minha frente, uma garota de cabelos curtos bem pretos.
            A primeira aula inteira o professor Marcelo passou perguntando sobre as férias, contando da viagem dele ao litoral e ao nordeste. O sinal era super alto. Dei um pulo na cadeira quando tocou.
- É o seguinte. Como eu conheço os outros professores de vocês e sei que são uns chatos, - Disse cochichando. - então vou deixar essa aula pra vocês conversarem, conhecerem quem vocês não conhecem, colocar o papo em dia e etc. Mas na próxima aula venham preparados para muito conteúdo em.
            Assim que ele terminou de falar, metade da sala começou a levantar, ir um pra carteira do outro, começaram a conversar, ouvir música, até a garota da minha frente começou a conversar com os nerds ali da frente.
- Hey Nathalia.- Disse alguém atrás de mim.
- Oi. - Disse olhando para trás.
            Era um garoto que sentava do outro lado da sala. Tinha aparência de estudioso, mas não nerd.
- Meu nome é Jorge, eu sou o líder da turma. Vim te dar as boas vindas em nome da turma.
- Obrigada. - Respondi sorrindo.
- Bom, aproveitando o momento já vou adiantar algumas coisas. Você já recebeu seu horário né?
- Sim, sim.
- Então, aquela aula semanal que está escrito “opcional”, bom, ela é obrigatória. - Rimos. - O opcional é o que você vai fazer naquelas aulas. Tem vários cursos aqui no colégio que são de graça, na verdade não são de graça, mas o custo já está incluso na mensalidade. Temos uma semana pra escolher um e nos matricularmos, mas no seu caso você tem dois dias.
- Ótimo. - Rimos.
- Tá, os cursos que tem são teatro, coral, líder de torcida, basquete e informática. O teatro é no anfiteatro, o coral na sala de música que fica atrás dos camarins do anfiteatro, lideres de torcida ficam na quadra de esportes, basquete no ginásio e informática no laboratório de informática, claro. Como irmão do professor digo que você é muito bem vinda no curso de informática. - Disse querendo me convencer a escolher seu curso.
- Obrigada mas, eu não tenho jeito com computadores. Na verdade com nenhum dos cursos eu tenho jeito. Vai ser uma decisão difícil. Aceitam meninas no basquete?
- Claro, apesar de só terem três matriculadas.
- Pelo menos não serei a única.
            Ele ficou meio chateado por eu não ter escolhido a turma de informática, mas levou numa boa.
- Jorge! Me ajuda aqui. O vídeo não quer abrir. - Disse uma garota do outro lado da sala com um notebook sobre a mesa e duas garotas do lado.
- Com licença, vou ajudar as garotas. - Disse piscando e foi para onde o chamavam.
            Virei para frente e fiquei quieta, todos estavam conversando, menos o garoto do meu lado. Ele estava com fones de ouvido em volume alto, eu quase podia entender a música que estava tocando. Ele estava com os braços cruzados, a cabeça para trás e olhos fechados. A única coisa que indicava que ele não estava dormindo eram seus pés batendo no chão em ritmo de música.
            Abri meu caderno na última folha e comecei a desenhar. A primeira coisa que me veio na mente foi um parque de diversões, então, com a maior inocência comecei a desenhar uma roda gigante, e no topo, havia um casal apaixonado. Então caiu a ficha, e junto com ela uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Não! Este não era nem o lugar nem o momento para isso.
- Você esta chorando? - Perguntou o garoto do meu lado tirando os fones.
- Não, só uma lágrima à toa. Não é nada importante. - Respondi secando-a.
- Então, Nathalia, meu nome é Wesley.
- Prazer. - Respondi sorrindo.
- Desculpa mas, eu ouvi a sua conversa com o Jorge, você tá pensando mesmo em se matricular no basquete?
- Bom, informática nem pensar, eu não canto, tenho muita vergonha pra me meter no teatro e líderes de torcida, bom, não rola. Basquete é uma última salvação. Você vai fazer o quê? - Perguntei.
- Deixa eu pensar. Basquete. Desde que entrei nesse colégio na quinta série. Meu irmão mais velho é o capitão do time, o treinador é meu pai e o melhor depois do meu irmão é o meu primo, aquele de uniforme de basquete lá no fundo, o loiro de cabelo comprido. Eu não tenho muitas opções.
- E eu preocupada de não saber o que fazer. - Rimos.
- Por mim eu estava no teatro, mas meu pai diz que não aceita um filho com maquiagem, e ele quer que eu seja o capitão do time ano que vem quando meu irmão não estiver mais aqui.
- Já que é um fardo pra você, vou te ajudar a carregar então.
- Ótimo! Alguém que eu não queira quebrar os dentes com a bola vai ser legal. - Rimos.
- Hey garota nova. - Disse uma voz fina e enojada do meu outro lado.
- Oi. Meu nome é Nathalia. - Eu odiava quando alguém que não me conhecia me chamava de algo que não fosse meu nome quando já sabia. Ainda mais se esse alguém usa uniforme colado, maquiagem de casamento e perfume enjoativo.
- Uhm, desculpe, Nathalia. Meu nome é Jéssica. Eu sou a líder das lideres de torcidas. - Disse com ar de “olha pra mim, eu sou o máximo não sou?”.
“Deu pra perceber”, pensei.
            Fiquei olhando pra ela com expectativa pra saber o que ela queria comigo. E ela me olhando com ar de “ee...?”.
- Parabéns, deve ser muita responsabilidade. - Falei e pensei “muita mesmo, colocar um bando de meninas semi nuas pulando e cantando coisa idiotas como “me dá um B! B! me dá um A! Á!...”.”
- É sim. - Disse orgulhosa de si mesma. - Bom, você já deve estar sabendo das aulas opcionais, então, nós estamos abrindo os testes para recrutar novas líderes de torcida, e gostaria de te convidar para fazer o teste.
“Nossa, que gentil da parte dela, acho que fui um pouco rude com meus primeiros pensamentos a respeito dela”, pensei. Então sorri.
- Mas, se você se matricular, bom, você tem um físico bom, um rosto bonito mas, vamos ter que atualizar seu guarda roupas e comprar umas maquiagens pra você, é claro, afinal, pra andar com a gente tem que... como posso dizer, estar na moda. - Disse com um sorrisinho sem graça.
- Ah sim, parecer uma Barbie. Não obrigada, já escolhi meu curso. - Disse e me virei pra voltar a conversar com Wesley, que estava segurando o riso.
            Eu O-D-I-E-I aquela Barbie falsificada falando mal das minhas roupas e falando que eu preciso de maquiagem. Posso ter algumas espinhas e imperfeições mas e daí? Preciso viver escondendo? Como se adiantasse! Eu não preciso usar uma mascara. Não estou aqui pra chamar a atenção de ninguém! Isso aqui é um colégio não um desfile. Ok, amanhã venho de longo e salto alto, está bom pra você Jéssica? Sim! Eu estou revoltada.  Não!! Eu N-Ã-O estou na tpm caramba.
- Para de rir! - Disse sorrindo para Wesley.
- Desculpa. - Tempo segurando o riso. - Adorei você insinuando que ela parece uma Barbie. Acho que vamos nos dar bem.
- Ninguém ouviu o sinal não? Quase uma semana de aula e vocês ainda não pararam de conversar? - Disse uma senhora com um guarda pó, quero dizer, a professora de sociologia. Velha, corcunda, cabelo mal pintado de vermelho, sobrancelhas desenhadas com lápis de olho, contorno de boca marrom, sem batom. Uma coisa linda com voz que parecia um assobio. Meu intervalo foi sozinha no refeitório. Depois teve mais uma aula de sociologia, uma de português com a professora Luciana e a última era livre, aproveitei para me matricular no basquete e na fiquei sentada nos degraus em frente o colégio esperando minha mãe me buscar. 



3 comentários:

Deixe sua opnião :)